Com as altas de juros no Brasil e exterior, as bolsas estão voláteis e acumulam prejuízos

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Confira o boletim semanal da terceira semana de junho

Na última semana ocorreu um evento aguardado pelo mercado financeiro mundial: a reunião do FED – Federal Reserve –, que decidiu a nova taxa de juros dos Fed Funds, similar à taxa Selic que temos no Brasil.

Como esperado pela maioria, o FED elevou a taxa em 0,75pp, passando então a vigorar no intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano. Havia, porém, uma parcela dos analistas que apostaram em um ajuste menor, de 0,5pp. 

Tal magnitude de aumento não era vista há 28 anos e, por si só, isso demonstra o tamanho do problema que o banco central americano tem pela frente e a seriedade que ele passa a lidar com a crescente inflação do país. 

Na esteira das elevações de taxas de juros, também foi a vez do Banco Central da Suíça (SNB) elevar sua taxa em 50pp, passando de -0,75% para -0,25%. Este foi o primeiro aumento na taxa de juros do país desde setembro de 2007.

Na Europa, os títulos do governo italiano subiram quando o Banco Central Europeu anunciou que não aceitaria que os mercados de títulos soberanos saíssem do controle e os países do bloco teriam que renunciar a algum crescimento futuro, em detrimento do combate à inflação. 

Você também pode conferir o boletim aqui:

Os aumentos simultâneos de taxa de juros dos Bancos Centrais pelo mundo têm feito ecoar, cada vez mais forte, a possibilidade de estarmos diante do início de uma recessão global.

Os indicadores divulgados na semana passada sugerem este destino porque as vendas do varejo no mercado americano vieram abaixo do consenso e os dados de produção industrial, segundo analistas, já dão sinais claros de um arrefecimento da economia norte-americana.

Para a XP Investimentos, a inflação persistentemente alta, que faz com que o FED suba os juros americanos para níveis contracionistas, deve causar forte desaceleração da economia a partir do terceiro trimestre de 2022. 

De acordo com o time de economia da corretora, esta recessão deve perdurar entre o período de 2023 e 2024.  

Diante do risco iminente de recessão, os mercados financeiros não se sustentaram no campo positivo, o S&P que já havia entrado no terreno do Bull Market na semana passada, caiu mais de 5%, Dow Jones e Nasdaq caíram mais de 4% cada.

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Os receios de uma recessão abrupta fazem os investidores avessos a maiores riscos buscarem refúgio nos títulos de renda fixa, gerando massivas vendas de ações. 

Este fenômeno também tem atingido as criptomoedas, que até então eram entendidas como ativos descentralizados e por isso estariam à parte do comportamento da economia e do mercado financeiro.

O bitcoin, a principal criptomoeda, já acumula perdas de mais de 50% neste ano. Analistas explicam que os impactos do aumento dos juros nas criptomoedas estão surpreendendo os investidores e trazendo imprevisibilidade quanto ao futuro próximo do ativo.

Fonte: Google Finance

Na China, os dados econômicos apresentaram melhora, com a produção industrial subindo 0,7% no comparativo anual, ante uma expectativa de contração de -0,9% pelo consenso.

Além disso, as vendas no varejo caíram -6,7%, enquanto o esperado era queda de -7,1%. Embora os números tenham vindo acima da expectativa do mercado, os crescentes casos de covid voltam a preocupar, com a possibilidade de o governo realizar novos lockdowns e outras medidas como o atraso do retorno às aulas.

Cenário local 

No Brasil, a última semana também foi decisiva para a economia e o Banco Central (BC) elevou a taxa de juros em 0,50pp, ficando a 13,25% ao ano. Em comunicado divulgado após a reunião, o BC anunciou que deve realizar um novo aumento da taxa Selic “de igual ou menor magnitude” na reunião seguinte em agosto. 

A equipe de economia da XP Investimentos acredita que o BC fará um novo aumento de 0,50pp na próxima reunião pois, segundo a corretora, as pressões inflacionárias não devem diminuir suficientemente até lá. 

Um ponto que corrobora para a análise da XP é a nova alta do preço dos combustíveis anunciada pela Petrobras, que aumentou o preço da gasolina em 5,2% e do diesel 14,3%, reiterando seu compromisso com a política de paridade de preços internacionais.

A notícia surtiu forte impacto no setor político que mencionou abrir uma CPI para investigar a política de preço da petrolífera. Diante das constantes pressões, o presidente da estatal, José Mauro Ferreira Coelho, renunciou ao cargo nessa segunda-feira (20/06). Em seguida, a Petrobras nomeou Fernando Borges como presidente interino.

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Confira como o mercado encerrou a semana

Fonte: Investing.com.br

Destaques do Ibovespa

Veja as empresas que mais valorizaram e as que mais se desvalorizaram na semana

Fonte: B3

Os destaques positivos da semana são as ações da Qualicorp (QUAL3) mas, não foram encontrados motivos pontuais para esta alta e já é a segunda semana consecutiva que a empresa é destacada de forma positiva.

Para o destaque negativo foi a empresa de varejo Tech Via (VIIA3) mas,  também não foram achados motivos pontuais. Analistas da XP atribuíram a queda das ações da empresa, e de outras do setor de tecnologia e crescimento, ao aumento de juros e deterioração do cenário macroeconômico.

Câmbio e juros

O dólar encerrou a semana com alta de 3,33% em relação ao real, cotado em R$5,15/USD. 

Já a curva dos juros futuros DI com vencimento em janeiro de 2031, apresentou queda de -20bps na semana e atingiu o patamar de 12,38%. 

Confira os assuntos que podem impactar seus investimentos essa semana

Para esta semana é aguardada a divulgação da taxa de juros na China, informação importante para saber se o país adotará uma linha mais contracionista, como a americana, ou expansionista. 

Além disso, serão divulgadas as atas das reuniões do FED e do COPOM.

Confira a agenda completa abaixo:

Fonte: Investing.com.br

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