Por Paulo Cunha 17 de junho 2026
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A história que emocionou o Brasil também trouxe uma reflexão pouco discutida: por que seguro de vida, previdência e planejamento sucessório podem proteger uma família quando o inesperado acontece.

Edição #041

Quando Marília Mendonça morreu em novembro de 2021, o Brasil acompanhou com comoção uma tragédia que interrompeu uma carreira extraordinária no auge.

Milhões de pessoas acompanharam a cobertura do acidente, as homenagens, as discussões sobre o legado artístico e a disputa pela guarda do filho.

Mas existe um detalhe pouco comentado daquela história. Um detalhe que talvez seja mais importante para qualquer pai ou mãe de família do que todos os debates que ocuparam os noticiários na época.

Marília sabia que o futuro é imprevisível… e tomou uma decisão que garantiu proteção imediata para seu filho caso algo acontecesse.

Enquanto boa parte do patrimônio construído ao longo da vida precisou seguir os caminhos normais da sucessão: inventário, burocracia, avaliações, documentos e prazos judiciais. Uma parcela dos recursos não precisou esperar absolutamente nada.

O motivo é simples… Ela possuía seguro de vida. Aqui existe uma característica que poucas pessoas conhecem: O seguro de vida não integra o inventário.

Ele não é tratado como herança tradicional. Trata-se de um contrato onde o titular define previamente quem receberá os recursos. Em caso de falecimento, o valor é pago diretamente aos beneficiários indicados, sem necessidade de aguardar a conclusão do processo sucessório.

No caso de Marília, estima-se que mais de R$ 5 milhões foram destinados ao filho dessa forma.

Isso não elimina a dor, não resolve a ausência. Mas resolve um problema extremamente concreto: a vida continua.

As contas continuam chegando. As despesas não entram em luto… é justamente nesse momento que muitas famílias descobrem uma realidade desconfortável.

Ter patrimônio não significa necessariamente ter acesso ao patrimônio.

Um imóvel pode valer milhões e ainda assim não gerar um único real para pagar despesas imediatas. Uma carteira de investimentos pode estar bloqueada aguardando procedimentos sucessórios. Empresas podem continuar operando sem que os herdeiros tenham acesso rápido aos recursos.

É por isso que ferramentas sucessórias existem, e não estamos falando apenas de grandes fortunas.

Durante muito tempo criou-se a impressão de que planejamento sucessório era assunto de bilionários, famílias tradicionais ou donos de grandes empresas.

Na prática, qualquer pessoa que tenha dependentes financeiros deveria refletir sobre o tema. O seguro de vida é uma dessas ferramentas. A previdência privada é outra.

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Muitos investidores desconhecem que determinados planos de previdência permitem a indicação direta de beneficiários, normalmente sem necessidade de inventário, além de possibilitarem uma sucessão patrimonial muito mais eficiente.

Existe ainda um segundo aspecto que vem ganhando relevância. A questão tributária.

Os estados brasileiros vêm aumentando gradualmente a arrecadação sobre transmissão de patrimônio, hoje entre 4 a 8% e a tendência dos próximos anos é de maior atenção sobre o ITCMD o imposto incidente sobre heranças e doações poderá chegar a 30%.

Não se trata de fugir de impostos. Trata-se de organizar o patrimônio de forma inteligente, utilizando instrumentos previstos em lei para reduzir custos, evitar conflitos familiares e acelerar a transferência dos recursos.

Porque existe uma diferença importante entre acumular patrimônio e proteger patrimônio: A primeira etapa é financeira, a segunda é estratégica.

Ao longo da vida, dedicamos décadas para construir ativos, comprar imóveis, investir e formar uma reserva para o futuro. Poucas pessoas dedicam o mesmo tempo para pensar no que acontecerá com tudo isso quando não estiverem mais aqui.

Talvez porque seja um assunto desconfortável. Talvez porque a maioria prefira acreditar que ainda existe muito tempo para resolver depois.

Mas o futuro raramente consulta nossa agenda.

O investidor consciente entende que planejamento sucessório não é sobre morte: É sobre responsabilidade.

É sobre garantir que aquilo que levou uma vida inteira para ser construído continue cumprindo seu propósito quando você não puder mais cuidar dele.

Porque o verdadeiro patrimônio não é o dinheiro, mas sim a tranquilidade que ele proporciona para quem fica.

Nos vemos na próxima edição.

— Paulo Cunha