Por Paulo Cunha 01 de abril 2025
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Como blindar as estratégias desse fenômeno?

1. O cérebro pré-histórico ainda investe por você

A maioria das pessoas acredita que investe com racionalidade.

Mas, no fundo, a maior parte das decisões no mercado financeiro ainda é guiada por impulsos ancestrais.

Nosso cérebro foi moldado por milhares de anos de escassez e sobrevivência.

E quando o assunto é dinheiro — diretamente associado à segurança e ao futuro —, quem grita mais alto não é a razão. É o instinto.

Na savana africana, era melhor fugir de um barulho suspeito do que arriscar descobrir se era só o vento.


Nosso cérebro aprendeu a reagir com medo. Com pressa. Com exagero.

Hoje, esse mesmo cérebro está no comando quando você abre o home broker.


E ele reage a uma queda de 3% no Ibovespa com o mesmo pânico de quem ouvia galhos quebrando atrás da moita.

2. O mercado cai pelo medo… e sobe com resiliência

A história dos investimentos está cheia de capítulos escritos por emoções extremas — mas também por recuperações surpreendentes para quem soube esperar.

  • 2008 – A crise do subprime: o colapso do sistema financeiro global parecia o fim. Mas os mercados não apenas se recuperaram — iniciaram um dos maiores ciclos de alta da história moderna, liderado por empresas de tecnologia.
  • 2020 – A pandemia: em menos de um mês, o mercado caiu 30%. A maioria correu para vender. Mas quem resistiu, viu tudo se recuperar em 6 meses — e muitos ativos dobraram de valor nos anos seguintes.

É sempre assim: o pânico entra gritando… e a razão volta sussurrando. Mas o risco emocional não aparece só nas grandes crises.

Mesmo nos dias comuns de mercado, as oscilações mexem com nossas emoções.

Uma queda de 1% gera dúvidas. Uma alta de 2% desperta ganância. E assim, a montanha-russa emocional vira rotina.

O pior é que muitos acabam tentando vencer o mercado com movimentações diárias — e pagam caro por isso.

Um estudo da FGV com dados da B3 mostrou que 97% dos traders de day trade têm prejuízo líquido após 1 ano.

E mesmo entre os poucos que ganham, a renda média é menor do que a de um salário mínimo.

Ou seja: agir demais costuma custar caro.

Leia também: Como escolher as ações com os melhores dividendos?

3. O Nobel que explica por que você age contra você mesmo

O psicólogo Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel, explica isso melhor que ninguém.

Em sua obra Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, ele apresenta dois sistemas mentais:

  • Sistema 1: rápido, emocional, automático — perfeito para fugir de um predador.
  • Sistema 2: lento, racional, analítico — ideal para tomar decisões de longo prazo, como investir.

Só que quando o mercado balança, quem assume é o Sistema 1.

É por isso que você vende quando deveria segurar.

É por isso que se sente pior perdendo mil reais do que feliz ganhando mil — porque, segundo Kahneman, a dor da perda é até duas vezes mais intensa do que o prazer do ganho.

A isso chamamos de aversão à perda, um viés psicológico que nos faz agir contra nossos próprios interesses.

4. Os investidores que morreram… e ganharam mais

Um dos casos mais simbólicos sobre o impacto da inércia positiva veio de um estudo interno da corretora americana Fidelity.

Eles analisaram a performance histórica de seus clientes com os melhores resultados e, para surpresa geral, muitos dos que mais ganharam eram pessoas… que haviam morrido.

Sim: os investimentos ficaram esquecidos, intocados.

Sem ansiedade. Sem vendas precipitadas.

Enquanto os vivos — cheios de opiniões e impulsos — ficavam para trás.

A lição? Menos movimento pode significar mais resultado.

Quando a lógica vence o instinto: Como combater tudo isso?

Nos últimos anos, muitos investidores têm buscado apoio na tecnologia.

Algoritmos e operações automatizadas ajudam a neutralizar as emoções.

Eles seguem lógica, não impulsos.

Eles não têm ego, nem medo, nem pressa.

Na iHUB, por exemplo, parcerias como a com a On Tick têm possibilitado o uso de trades automatizados com algoritmos.

Não como uma solução mágica, mas como um escudo contra o cérebro da caverna.

Uma forma de manter a disciplina quando todos ao redor estão em pânico — ou eufóricos.

Porque, no final das contas, o maior desafio ao investir não é o mercado. É o espelho.

E talvez a nossa maior evolução como investidor… seja reconhecer que o passado ainda vive em nós — mas que temos ferramentas para que ele não decida o nosso futuro.