Por iHUB 15 de maio 2026
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Como declarar ações no imposto de renda

Como declarar ações no imposto de renda é uma das principais dúvidas dos investidores na temporada do IRPF 2026, especialmente porque a Receita Federal cruza cada vez mais dados de corretoras, bancos, empresas, plataformas de investimento e outras fontes oficiais.

Esse cuidado se tornou ainda mais importante porque os investidores pessoa física movimentaram R$ 517,3 bilhões em ações no mercado à vista da B3 em 2025, segundo levantamento Datawise+ da B3 e da Neoway.

Então, considerando o mercado à vista de maneira mais ampla, incluindo ações, BDRs, ETFs, FIIs e outros instrumentos, o volume chegou a R$ 747,7 bilhões no período.

Além disso, a declaração do Imposto de Renda 2026 se refere ao ano-calendário de 2025 e deve ser entregue até 29 de maio de 2026, conforme a Instrução Normativa RFB nº 2.312/2026.

Por isso, quem investe precisa entender que declarar investimentos não é apenas informar saldo em conta. É necessário registrar corretamente a posição dos ativos, os rendimentos recebidos, os lucros, os prejuízos e, quando houver, os impostos pagos ao longo do ano.

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Quem precisa declarar investimentos no Imposto de Renda 2026?

Antes de entender como declarar ações no imposto de renda, é importante saber quem está obrigado a entregar a declaração.

De acordo com a Receita Federal, deve declarar o IRPF 2026 a pessoa física residente no Brasil que, em 2025, recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, ou teve bens e direitos acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro.

No caso dos investidores, há um critério específico: fica obrigado a declarar quem realizou operações de alienação em bolsas de valores, mercadorias, futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil no ano ou teve ganhos líquidos sujeitos à incidência de imposto.

Isso significa que nem todo investidor que comprou uma ação necessariamente estará obrigado apenas por esse motivo. No entanto, se ele se enquadrar em qualquer uma das regras da Receita, todos os bens, direitos, rendimentos e investimentos precisam ser informados corretamente.

Como declarar ações no Imposto de Renda 2026?

Para declarar ações, o investidor deve separar duas informações principais: a posição em carteira em 31 de dezembro de 2025 e os resultados das operações realizadas ao longo do ano.

A posição das ações deve ser informada na ficha Bens e Direitos, dentro do grupo correspondente a participações societárias. Nesse campo, o contribuinte deve informar o código do ativo, a quantidade de ações, o nome da empresa, o CNPJ da companhia e a corretora utilizada.

O valor declarado não deve ser o preço de mercado da ação em 31 de dezembro. O correto é informar o custo de aquisição, ou seja, quanto o investidor pagou pelas ações, incluindo custos operacionais que possam compor esse valor.

Então, por exemplo, se o investidor comprou 100 ações por R$ 20 cada, o custo inicial é de R$ 2.000. Se houve taxas associadas à operação, elas podem ser somadas ao custo de aquisição. Esse controle é essencial para calcular corretamente eventual ganho ou prejuízo no momento da venda.

Onde informar lucros e prejuízos com ações?

Os lucros e prejuízos obtidos com ações devem ser informados na ficha de Renda Variável, separando operações comuns e operações de day trade.

Nesse sentido, operações comuns são aquelas em que a compra e a venda ocorrem em dias diferentes. Já o day trade acontece quando a compra e a venda do mesmo ativo ocorrem no mesmo dia, pela mesma corretora.

Essa distinção é importante porque a tributação é diferente. Em regra, operações comuns com ações têm alíquota de 15% sobre o ganho líquido tributável. Já as operações de day trade têm alíquota de 20%.

Além disso, nas operações comuns com ações, existe isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês, desde que sejam operações no mercado à vista de ações e não envolvam day trade. Mesmo assim, o lucro isento deve ser informado na declaração.

Como declarar dividendos de ações?

Os dividendos recebidos de empresas brasileiras devem ser informados na ficha Rendimentos Isentos e Não Tributáveis.

Essa etapa é importante porque, embora os dividendos sejam isentos para a pessoa física no modelo atual, eles precisam constar na declaração para justificar a evolução patrimonial do investidor.

Na prática, o contribuinte deve usar as informações disponíveis no informe de rendimentos enviado pela companhia, pelo escriturador ou pela corretora. O ideal é sempre conferir se os valores da declaração pré-preenchida coincidem com os documentos oficiais.

A Receita permite o uso da declaração pré-preenchida, mas deixa claro que a responsabilidade pela conferência, correção, inclusão ou exclusão de informações é do próprio contribuinte.

Como declarar Juros sobre Capital Próprio?

Os Juros sobre Capital Próprio, conhecidos como JCP, têm tratamento diferente dos dividendos.

Enquanto os dividendos entram como rendimentos isentos, o JCP deve ser informado como Rendimento Sujeito à Tributação Exclusiva/Definitiva, pois já sofre retenção de Imposto de Renda na fonte.

Nesse caso, o investidor deve lançar o valor líquido recebido conforme consta no informe de rendimentos. Embora o imposto já tenha sido retido, a informação precisa aparecer na declaração para evitar inconsistências no cruzamento de dados.

Como declarar FIIs no Imposto de Renda 2026?

Os Fundos Imobiliários também exigem atenção.

Isso porque as cotas de FIIs devem ser informadas em Bens e Direitos, com o CNPJ do fundo, a quantidade de cotas, o nome do fundo e o custo de aquisição.

Já os rendimentos mensais distribuídos pelos FIIs, quando isentos, devem ser declarados em Rendimentos Isentos e Não Tributáveis.

Por outro lado, o lucro na venda de cotas de FIIs é tributado, em regra, à alíquota de 20%, sem a mesma isenção mensal de R$ 20 mil aplicável às ações no mercado à vista. Por isso, quem vendeu cotas com lucro precisa verificar se apurou e recolheu o DARF corretamente no mês seguinte à operação.

Como declarar ETFs e BDRs?

Ainda sobre como declarar ações no imposto de renda 2026, ETFs e BDRs também devem ser informados em Bens e Direitos, considerando o custo de aquisição.

No caso dos ETFs negociados em bolsa, os ganhos na venda são tributados conforme as regras aplicáveis ao tipo de fundo e à operação. Então, o investidor deve verificar o informe da corretora, as notas de corretagem e os relatórios auxiliares para preencher os resultados corretamente.

Por sua vez, os BDRs representam certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil com lastro em ativos estrangeiros. Assim, o investidor precisa ter atenção tanto ao custo de aquisição quanto aos rendimentos eventualmente recebidos.

Como esses ativos podem envolver regras específicas, principalmente em relação a proventos e tributação, o ideal é organizar os documentos antes de iniciar o preenchimento.

Como declarar renda fixa no Imposto de Renda?

A renda fixa também precisa ser declarada, mesmo quando o imposto já foi retido na fonte ou quando o rendimento é isento.

Na prática, títulos como CDBs, RDBs, Tesouro Direto, debêntures, LCIs e LCAs devem ser informados em Bens e Direitos, pelo saldo existente em 31 de dezembro de 2025.

Os rendimentos seguem tratamentos diferentes. CDBs e Tesouro Direto, por exemplo, normalmente entram como Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, pois o imposto é retido na fonte no momento do resgate, vencimento ou pagamento de juros.

Já LCIs, LCAs e alguns títulos incentivados têm rendimentos isentos, que devem ser informados em Rendimentos Isentos e Não Tributáveis.

Portanto, o investidor não deve olhar apenas para o saldo. Ele também precisa verificar se houve rendimento, resgate, vencimento ou pagamento de juros durante o ano-calendário.

Como declarar Tesouro Direto?

Para saber tudo sobre como declarar ações no imposto de renda 2026, é necessário entender também que o Tesouro Direto deve ser declarado pelo valor informado no informe de rendimentos da instituição financeira ou corretora.

Desse modo, na ficha de Bens e Direitos, o investidor informa os títulos mantidos em carteira e seus respectivos saldos. Já os rendimentos obtidos com venda, vencimento ou pagamento de cupons devem ser lançados em Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva.

Mesmo que o imposto tenha sido retido automaticamente, a informação precisa ser declarada para que a Receita consiga cruzar os dados corretamente.

Como declarar criptomoedas no IRPF 2026?

Em seguida, os criptoativos também devem ser declarados quando se enquadram nas regras da Receita Federal.

Na Instrução Normativa do IRPF 2026, a Receita informa que a declaração pré-preenchida pode conter informações relativas a operações com criptoativos custodiados ou negociados por instituições localizadas no Brasil, conforme dados recebidos pelas obrigações acessórias aplicáveis.

Em outras palavras, isso reforça a necessidade de o investidor manter controle próprio das operações, especialmente quando utiliza exchanges estrangeiras, carteiras digitais ou diferentes plataformas.

Na ficha de Bens e Direitos, as criptomoedas devem ser declaradas conforme o tipo de ativo, com descrição clara, quantidade, instituição de custódia, quando houver, e custo de aquisição.

Quando houver venda com ganho de capital, o investidor deve verificar se houve imposto a pagar e se o cálculo foi feito corretamente.

Quais documentos separar antes de declarar investimentos?

Para evitar erros, o investidor deve organizar os documentos antes de começar a preencher a declaração.

Os principais são:

  • Informes de rendimentos de bancos e corretoras.
  • Informes de empresas pagadoras de dividendos e JCP.
  • Notas de corretagem.
  • Relatórios auxiliares de imposto de renda.
  • Comprovantes de DARF pagos.
  • Controle de preço médio.
  • Extratos de custódia.
  • Relatórios de criptoativos.
  • Comprovantes de rendimentos no exterior, quando houver.

Essa organização reduz o risco de divergências entre o que foi informado pelo contribuinte e o que já consta nas bases da Receita Federal.

Erros comuns ao declarar ações e investimentos

Um dos erros mais comuns sobre como declarar ações no imposto de renda 2026 é colocar ações pelo valor de mercado, e não pelo custo de aquisição.

Outro problema recorrente é esquecer de informar dividendos, JCP ou rendimentos de FIIs. Mesmo quando são isentos ou tributados exclusivamente na fonte, esses valores precisam aparecer na declaração.

Também é comum o investidor não compensar prejuízos corretamente. Prejuízos em renda variável podem ser compensados com lucros futuros da mesma natureza, respeitando as regras aplicáveis a cada tipo de operação.

Além disso, muitos contribuintes esquecem de informar DARFs pagos durante o ano, o que pode gerar diferença entre o imposto apurado e o imposto efetivamente recolhido.

Leia também: IA para finanças: como usar a tecnologia para organizar sua vida financeira

Declaração pré-preenchida substitui a conferência?

Não, a declaração pré-preenchida ajuda, mas não elimina a responsabilidade do contribuinte.

A Receita Federal informa que os dados pré-preenchidos podem incluir rendimentos, deduções, bens, direitos, dívidas e outras informações recebidas por diferentes bases, mas a verificação da correção desses dados continua sendo responsabilidade do declarante.

Portanto, o investidor deve comparar a declaração pré-preenchida com informes, extratos, notas de corretagem e controles próprios.

Esse cuidado é ainda mais importante para quem fez muitas operações, recebeu proventos de diferentes empresas ou investiu em diversos produtos ao longo de 2025.

Como evitar cair na malha fina?

Para reduzir o risco de malha fina, o investidor deve manter consistência entre patrimônio, rendimentos e movimentações.

Se houve aumento patrimonial, é necessário que a declaração mostre a origem dos recursos. Isso pode vir de salário, pró-labore, aposentadoria, dividendos, rendimentos financeiros, venda de ativos, herança ou outras fontes declaradas.

Além disso, é importante conferir CNPJs, códigos, valores e classificações. Um rendimento isento lançado como tributável, por exemplo, pode distorcer o cálculo. Da mesma forma, um ativo informado em grupo ou código incorreto pode dificultar a análise da Receita.

A Receita Federal também disponibiliza orientações sobre declaração, pagamento, restituição e malha fiscal em sua página oficial do Meu Imposto de Renda.

Declaração correta evita problemas com a Receita

Entender como declarar ações no imposto de renda é importante para qualquer investidor que deseja manter sua vida fiscal organizada.

No IRPF 2026, a atenção deve ser ainda maior porque a declaração referente ao ano-calendário de 2025 conta com mais integração de dados, uso ampliado da pré-preenchida e cruzamento de informações entre diferentes fontes.

Por isso, antes de enviar a declaração, reúna informes, notas de corretagem, extratos, comprovantes de DARF e relatórios auxiliares. Em seguida, confira cada ativo, rendimento e operação com calma.

Mais do que cumprir uma obrigação fiscal, declarar investimentos corretamente ajuda o investidor a acompanhar sua evolução patrimonial, evitar inconsistências e tomar decisões financeiras com mais segurança ao longo do tempo.

Perguntas frequentes sobre como declarar ações no imposto de renda

Quem comprou ações precisa declarar Imposto de Renda?

Depende. A compra de ações, isoladamente, não significa necessariamente obrigatoriedade. Porém, se o contribuinte se enquadrar em qualquer regra da Receita, deve declarar seus investimentos.

Além disso, quem realizou alienações em bolsa acima de R$ 40 mil em 2025 ou teve ganhos líquidos sujeitos ao imposto está obrigado a entregar a declaração. ([Imprensa Nacional][2])

Preciso declarar ações mesmo sem vender?

Sim, caso você esteja obrigado a declarar o IRPF 2026. Nesse caso, as ações mantidas em carteira devem ser informadas em **Bens e Direitos** pelo custo de aquisição.

Dividendos são tributados?

Pelas regras atuais, dividendos pagos por empresas brasileiras à pessoa física são isentos, mas devem ser informados na declaração.

JCP é a mesma coisa que dividendo?

Não. O JCP sofre tributação exclusiva na fonte e deve ser declarado em ficha diferente dos dividendos.

Prejuízo com ações precisa ser declarado?

Sim. Declarar prejuízos é importante para manter o histórico fiscal correto e permitir eventual compensação com lucros futuros, respeitando as regras da Receita.

Ressaltamos que este texto serve somente como informação e não deve ser considerado como uma recomendação para comprar ou vender ativos de nenhuma natureza.

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